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«Small is beautiful», dizem os ingleses...
Esta
afirmação, tantas vezes repetida, não corresponde
por vezes à verdade. Nem sempre o pequeno é belo.
Mas, aplicada a Portalegre, não podia ter maior
propriedade. Embora tenha uma dimensão não muito
grande e uma população igualmente pouco numerosa,
esta cidade ostenta qualidades que não se encontram
na maior parte das suas congéneres portuguesas.
Situada
numa região privilegiada pela natureza, rodeada de
elevações, o acidentado do terreno e a verdura, por
vezes exuberante, contradizem a ideia que
habitualmente se tem do Alentejo. Portalegre assumiu,
durante a sua História multissecular – foi elevada
a cidade em 1550, mas a sua fundação é medieval –
um papel de ligação entre o Além-Tejo, a Beira e a
vizinha Espanha. Ao longo dos séculos, a agricultura
foi a actividade predominante. Mas Portalegre também
foi terra de indústria – os seus lanifícios já
eram conhecidos em todo o país na Idade Média - e de
comércio. Com o andar do tempo, a paisagem mudou –
desapareceram quase por completo os castanheiros que
cobriam a serra – mas o essencial persistiu: a
beleza natural, a pureza dos seus ares, uma
tranquilidade que reconforta e que incita à criação
e à reflexão. Foi terra de nascimento ou de
acolhimento de escritores como José Régio, de
pintores como D’Assumpção, de homens de ciência
como José Maria Grande e Filipe Folque.
Mas a História e Natureza não são incompatíveis
com o progresso e o desenvolvimento. Bem pelo contrário.
O ensino politécnico veio reforçar uma componente
que já era tradicional, com um seminário fundado no
século XVI, um dos liceus mais antigos do país e uma
escola de desenho industrial – mais tarde comercial
e industrial - igualmente
datando do século XIX. O Instituto Politécnico de
Portalegre, com as suas escolas, renovou a cidade, com
os milhares de estudantes, de funcionários e de
professores que para aqui vieram, revitalizou-a.
A
Escola Superior de Tecnologia e Gestão ocupa um lugar
de primeira linha nessa afirmação de progresso, de
valorização humana e científica virada para o
futuro. Desta região, mas também do nosso país.
Numa época em que saber é poder, em que Portugal tem
que recuperar o tempo perdido e alinhar, finalmente,
ao lado das nações europeias mais avançadas. Esse
desiderato, que constitui um objectivo prioritário da
ESTGP, só será alcançado quando possuirmos quadros
em abundância, técnica e cientificamente formados, e
uma massa crítica actuante e crítica.
Prof.
António Ventura |